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O algoritmo da exploração digital

Neste artigo, a autora aborda como o monitoramento digital intensifica o controle sobre os trabalhadores e defende maior proteção aos seus direitos e dados.

Frederick Winslow Taylor, pai da Administração Científica, tinha como objetivo central em sua teoria, promover maior eficiência no ambiente de trabalho, utilizando métodos racionais e científicos para organizar processos produtivos, assegurando, o máximo de prosperidade ao patrão, juntamente com o máximo de prosperidade do empregado. No entanto, hoje, os salários dos trabalhadores costumam estagnar ou crescer em ritmo menor.

 

O princípio do Estudo dos Tempos e Movimentos proposto por Taylor reduz custos e aumenta a previsibilidade das atividades, mas traz impactos psicológicos e sociais.

 

Hoje contamos com ferramentas mais incrementadas e modernas, somos vigiados, muitas vezes, por câmeras que capturam imagens e áudios, por softwares e IA que acompanham o tempo de digitação, cliques e períodos de inatividade. Hoje, o empregado tem dificuldade de exercer o seu direito de desconexão após o fim da jornada.

 

O excesso de controle dos tempos e movimentos acaba por desumanizar a realização de tarefas, além de negligenciar fatores que podem aumentar o risco de problemas de saúde mental.

 

É necessário abordar a temática do tratamento coletivo dos dados nas assembleias e negociações coletivas, de forma a proteger o trabalhador perante a forma que seus dados são coletados e tratados pelos algoritmos e ferramentas de controle.

 

Taylor vendeu cronômetro e prometeu prosperidade. O capital atualizou para algoritmo e entregou adoecimento. Se a máquina trava a vida, a categoria tem que ter o comando. Não é hora de aceitar atualização do chicote. É hora de mobilização. É hora de Resetar a Exploração Digital.

 

 Érica Rangel é diretora do Sindicato dos Bancários da Bahia, comissão do Departamento de Formação.