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A familicia e o tariflavio II

Neste artigo, o autor analisa as articulações da família Bolsonaro junto ao governo dos Estados Unidos, discute os possíveis impactos dessas iniciativas para a soberania brasileira e aborda o debate sobre a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, além da atuação e da expansão das milícias no Rio de Janeiro.

A família Bolsonaro tem defendido junto ao governo norte-americano medidas que prejudicam o Brasil, como a imposição de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, e a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, deixando de fora as milícias, que também exercem forte poder criminoso em diversas regiões do país.

 

O fato de as milícias não terem sido incluídas nesse pedido revela uma contradição. Além de defenderem medidas que podem ampliar a interferência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil, preservam as milícias dessa classificação, o que, em tese, pode favorecer seu fortalecimento na disputa por territórios.

 

A relação da família Bolsonaro com integrantes das milícias tem sido objeto de amplo debate público. Um dos casos mais conhecidos envolve Adriano da Nóbrega, fundador do escritório do crime e um dos principais líderes das milícias. Morto na Bahia em uma operação policial, sua morte levanta a hipótese de "queima de arquivo". Adriano foi homenageado por Flávio Bolsonaro quando era deputado estadual, e familiares seus trabalharam no gabinete do então parlamentar.

 

Os dados sobre o controle territorial na região metropolitana do Rio de Janeiro mostram mudanças importantes. Segundo o Mapa Histórico dos Grupos Armados (2025), as milícias passaram de 33 km², em 2007, para 162 km², em 2020, recuando para 136 km² em 2024. Já o Comando Vermelho ampliou sua área de 103 km² para 141 km² no mesmo período, chegando a 150 km² em 2024 e voltando a superar as milícias em extensão territorial. Apesar da redução recente, entre 2007 e 2024 as milícias registraram crescimento de aproximadamente 312% em sua área de domínio, enquanto o Comando Vermelho expandiu cerca de 45%.

 

Classificar organizações criminosas como terroristas pode abrir espaço para a adoção de sanções unilaterais pelos Estados Unidos, com reflexos sobre a soberania brasileira. Organizações terroristas são movidas pela política, ideologia, religião e atos que provocam pânico na população. Já o PCC e o Comando Vermelho são organizações criminosas que visam principalmente o lucro e o controle de mercados ilegais. Enquadrá-las como organizações terroristas é só um motivo para a intervenção dos Estados Unidos no Brasil. Efetivamente, não combate o crime organizado.

 

*Álvaro Gomes é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia e presidente do IAPAZ