Burnout explode no Brasil e pressiona a Previdência
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os auxílios-doença por esgotamento no trabalho saltaram de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Apenas no primeiro semestre de 2025 foram 3.494 registros, o equivalente a 71,6% de todo o ano anterior.
Por Ana Beatriz Leal
Inicialmente, o burnout parece ser um problema individual. Mas, se observado com atenção, é um sintoma coletivo de um modelo de sociedade adoecedor. Em apenas quatro anos, os afastamentos por síndrome do esgotamento profissional cresceram 493%, o que passou a pressionar também os gastos da Previdência Social.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os auxílios-doença por esgotamento no trabalho saltaram de 823 casos em 2021 para 4.880 em 2024. Apenas no primeiro semestre de 2025 foram 3.494 registros, o equivalente a 71,6% de todo o ano anterior.
Especialistas alertam que os números reais podem ser ainda maiores. O burnout, frequentemente aparece mascarado por diagnósticos como depressão, ansiedade ou dores físicas. Além disto, muitos trabalhadores informais, que não contribuem com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), nem sequer entram nas estatísticas oficiais.
Em 2024, o INSS concedeu 472,3 mil auxílios-doença por transtornos mentais, frente a 283,5 mil no ano anterior. Em 2025, apenas entre janeiro e junho, o número chegou a 271.076 afastamentos, representando 1 em cada 7 benefícios concedidos.
As despesas com auxílio-doença cresceram 68% entre 2022 e 2024. Passaram de R$ 18,9 bilhões para R$ 31,8 bilhões. Enquanto isto, os gastos totais da Previdência subiram 19,4% no mesmo período.
Doenças ocupacionais como o burnout, não exigem carência mínima para concessão do benefício. Além disto, durante o afastamento, as contribuições deixam de ser recolhidas, ampliando o impacto financeiro. Ou seja, o custo da exploração patronal é socializado, recaindo sobre o Estado e a sociedade, enquanto os lucros permanecem nos cofres das empresas.
