Sistema financeiro adoece os bancários
Os bancos registraram crescimento de 168% no número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, passando de 5.411 em 2014 para 14.525 em 2024. Alarmante.
Por Ana Beatriz Leal
Os bancários figuram no topo da lista das categorias mais atingidas pela síndrome de burnout. O sistema financeiro adoece. Metas abusivas, cobranças diárias, vigilância permanente, ameaça de demissão e assédio moral fazem parte da rotina.
Os bancos registraram crescimento de 168% no número de afastamentos por transtornos mentais em 10 anos, passando de 5.411 em 2014 para 14.525 em 2024. Alarmante.
A digitalização dos serviços bancários, longe de aliviar a sobrecarga de trabalho, intensifica a pressão. Menos funcionários e autonomia, mais tarefas e controle. O resultado é um ambiente que produz adoecimento em série.
Por trás dos números, estão histórias de trabalhadores que resistiram até o limite, muitas vezes empurrados por metas inalcançáveis, assédio e jornadas que invadem a vida pessoal.
É preciso rigor na punição
Em 2023, o burnout foi oficialmente considerado doença ocupacional, com garantias de direito ao auxílio-doença acidentário e estabilidade no retorno ao trabalho.
Depois, em 2024, o Ministério do Trabalho passou a exigir o mapeamento de riscos psicossociais nas empresas. No entanto, sob pressão do empresariado, o governo adiou para maio deste ano o início das multas para quem descumprir a norma.
