Reajustes acima da inflação predominam

Ano passado, os trabalhadores brasileiros registraram avanços significativos nas negociações salariais, com 77,7% dos acordos coletivos de trabalho fechados com reajustes reais, ou seja, acima da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

Por Caio Ribeiro

Ano passado, os trabalhadores brasileiros registraram avanços significativos nas negociações salariais, com 77,7% dos acordos coletivos de trabalho fechados com reajustes reais, ou seja, acima da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).
 

Segundo o levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), foram analisados cerca de 21 mil reajustes registrados no sistema oficial de negociações. Desses, 14% repuseram exatamente a inflação, enquanto apenas 8% ficaram abaixo do índice de preços, mantendo a tendência de ganhos reais na maioria dos instrumentos coletivos. 
 

O aumento real médio das negociações foi cerca de 0,87% acima do INPC, mostrando que a maior parte dos trabalhadores conseguiu recompor parte do poder de compra em um cenário econômico ainda pressionado pelos índices de preços. Os dados refletem, mesmo que em ritmo um pouco menor, a continuidade de uma série de anos em que reajustes acima da inflação foram a regra na maior parte das campanhas salariais. 
 

A análise por setor aponta que os segmentos da indústria e do comércio tiveram um desempenho robusto nas negociações, com quase 80% dos reajustes acima da inflação, seguidos pelo setor de serviços. Por outro lado, a área rural apresentou resultados mais frágeis, com menor proporção de ganhos reais e maior incidência de reajustes abaixo do INPC.