Gasolina cai, conta não

A venda de refinarias e ativos estratégicos reduziu a capacidade do Estado de intervir no mercado e garantir preços justos.

Por Julia Portela

A redução de 5,2% anunciada nesta segunda-feira (26/01) pela Petrobras no preço da gasolina para as distribuidoras, equivalente a R$ 0,14 por litro, não deve chegar ao bolso do consumidor final. Isto porque com a privatização da RLAM (Refinaria Landulpho Alves) no governo Bolsonaro, a empresa controladora, Acelen, da Árabia Saudita, não repassa a queda no valor para a população.

 

 

Mesmo sendo a principal produtora de combustíveis do país, a Petrobras opera hoje limitada por uma lógica que submete os preços ao dólar e às margens de lucro das distribuidoras e postos. A política do PPI (Preço de Paridade de Importação) retirou da estatal o papel estratégico e social, permitindo que reduções anunciadas sejam absorvidas ao longo da cadeia. O resultado é a manutenção de preços elevados nas bombas, penalizando a sociedade.

 

 

O enfraquecimento da Petrobras ocorreu paralelamente ao desmonte do patrimônio público. A venda de refinarias e ativos estratégicos reduziu a capacidade do Estado de intervir no mercado e garantir preços justos. Ao mesmo tempo, o escândalo das joias envolvendo a família Bolsonaro revelou a face mais perversa deste projeto: enquanto a empresa pública era desmontada, bens recebidos em nome do Estado eram apropriados ilegalmente, com tentativas de contrabando e venda no exterior.

 

 

A dificuldade de a queda no preço do combustível chegar ao consumidor não é técnica, mas sim política. Trata-se de um padrão que privilegia o mercado financeiro e enfraquece empresas públicas. Defender a Petrobras e a retomada de uma política energética voltada ao interesse social é condição central para enfrentar o custo de vida elevado e garantir soberania nacional.