Big techs a serviço da desinformação
O discurso de “censura”, repetido pelos CEOs das big techs, serve para encobrir interesses econômicos e alianças políticas que lucram com o caos informacional.
Por Julia Portela
O avanço da inteligência artificial, somado à pressão política das big techs em direção a agendas da extrema direita, cria um cenário explosivo para as eleições de 2026. A desinformação deixa de ser um efeito colateral das redes e passa a integrar um projeto político que ameaça diretamente a democracia e o direito da população a um processo eleitoral justo e transparente.
O alerta é feito por organizações que integram o Programa Permanente de Enfrentamento à Desinformação, criado em 2021 pelo Tribunal Superior Eleitoral. Alinhadas a ideologias antidemocráticas e a discursos de inspiração trumpista, plataformas de redes sociais vêm desmontando programas de transparência e atuando para barrar regulações que impõem responsabilidades sobre a circulação de conteúdos. O resultado é o agravamento de estratégias da extrema direita, que fazem da mentira e das notícias falsas instrumentos centrais de disputa política.
O discurso de “censura”, repetido pelos CEOs das big techs, serve para encobrir interesses econômicos e alianças políticas que lucram com o caos informacional. Ao abrir mão de qualquer compromisso social, essas empresas contribuem para transformar a população, exposta diariamente a conteúdos rápidos e distorcidos, em massa de manobra de um sistema que enfraquece a democracia, ataca direitos e amplia a desigualdade social.
