Cor da pele, um fator de risco

Praticamente 80% das vítimas de homicídio no país eram pretas ou pardas, enquanto a parcela de brancos foi bem menor.

Por Caio Ribeiro

Pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) revela que a cor da pele é um fator de risco para mortes violentas no Brasil. O estudo, publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva, aponta que as pessoas negras (pardas e pretas) têm até 49% mais chance de morrer assassinadas do que as brancas, mesmo quando comparadas em situações socioeconômicas semelhantes.

 

 

Foram analisados os registros de homicídios de 2022, cruzando dados do Censo do IBGE com informações do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade) do Ministério da Saúde. Para isolar o efeito da cor da pele, foi aplicada a técnica estatística de escala de propensão, que minimizava vieses relacionados a idade, sexo, escolaridade e local de moradia.

 

 

Os números mostram que a desigualdade persiste mesmo quando outros fatores são controlados. Em 2022, praticamente 80% das vítimas de homicídio no país eram pretas ou pardas, enquanto a parcela de brancos foi bem menor.

 

 

A situação reforça a existência do racismo estrutural e chama atenção para a necessidade de políticas públicas que enfrentem a desigualdade racial em segurança e proteção social, indo além das explicações que tratam a violência apenas como resultado de pobreza ou condições territoriais.