Lucro sujo: devastação ambiental e trabalho escravo
Novo levantamento feito pela CTP (Comissão da Pastoral da Terra) mostra que 57% dos casos análogo à escravidão no Brasil estão ligados a atividades que destroem o meio ambiente.
Por Caio Ribeiro
Novo levantamento feito pela CTP (Comissão da Pastoral da Terra) mostra que 57% dos casos análogo à escravidão no Brasil estão ligados a atividades que destroem o meio ambiente, como pecuária extensiva, mineração, carvoarias e monoculturas que abatem florestas e expulsam povos tradicionais de seus territórios.
Os dados apontam que, nos últimos 30 anos, mais de 67 mil trabalhadores foram resgatados de condições degradantes. Trabalhadores resgatados relataram viver em locais insalubres, sem acesso à agua potável, sem equipamentos de proteção e sob ameaças constantes, inclusive em áreas usadas para abrir pastagens ou explorar recursos naturais.
Essa convergência entre exploração humana e destruição ambiental não é coincidência. Empreendimentos que promovem o desmatamento ilegal funcionam como zonas de impunidade, nas quais a fiscalização do Estado é mínima e os direitos trabalhistas são rasgados em nome do lucro.
Enquanto terras são devastadas e comunidades tradicionais, como indígenas, ribeirinhos e populações do campo têm seus modos de vida destruídos, trabalhadores são empurrados de formas extremas de exploração. Este modelo predatório demonstra que a crise social e ambiental são duas faces da mesma lógica de saque.
