Crédito caro, povo endividado
A principal engrenagem desse cenário é a política de juros altos mantida há mais de um ano e meio. A elevação da taxa Selic encarece o crédito, reduz prazos de pagamento e amplia os ganhos do sistema financeiro.
Por Julia Portela
O avanço recorde do endividamento e da inadimplência revela o esgotamento de um modelo econômico que penaliza quem vive do trabalho. Mesmo com o desemprego em nível historicamente baixo, milhões de famílias encerraram o último ano sufocadas por dívidas, demonstrando que ter renda não tem sido suficiente para garantir condições mínimas de estabilidade financeira.
A principal engrenagem desse cenário é a política de juros altos mantida há mais de um ano e meio. A elevação da taxa Selic encarece o crédito, reduz prazos de pagamento e amplia os ganhos do sistema financeiro, enquanto trabalhadores veem suas dívidas crescerem sem perspectiva de quitação. Trata-se de uma escolha que prioriza bancos e rentistas, em detrimento da economia real.
Os efeitos se espalham por toda a cadeia produtiva. Com o orçamento das famílias comprometido, o consumo é contido e o comércio opera abaixo do seu potencial. As vendas cresceram cerca de 2%, número modesto diante da capacidade do setor. Em um cenário de juros mais baixos, o crescimento poderia ser significativamente maior, com impacto direto na geração de emprego e renda
