Garimpo cai, vigilância segue

Os dados apontam uma queda superior a 98% nas áreas de exploração irregular identificadas nos últimos dois anos

Por Caio Ribeiro

O Brasil obteve progressos expressivos no combate ao garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. Os dados apontam uma queda superior a 98% nas áreas de exploração irregular identificadas nos últimos dois anos. Esta redução substancial reflete uma atuação coordenada de diversas instituições federais, envolvendo operações de fiscalização, desintrusão e monitoramento que visam restaurar a integridade territorial e proteger os direitos dos povos indígenas.

 

A série de ações inclui milhares de operações integradas, resultando em prejuízos financeiros significativos para as estruturas ilegais e uma menor presença de máquinas e pontos de extração na reserva, com impacto direto na redução da degradação ambiental e na violência associada ao crime organizado.

 

No entanto, a trajetória não está livre de desafios e críticas. Organizações da sociedade civil e monitoramentos independentes indicam que, apesar da queda expressiva, o garimpo ainda persiste em áreas remanescentes e há relatos de deslocamento dessas atividades para outras regiões, o que evidencia que o enfrentamento dessa prática criminosa exige continuidade, aperfeiçoamento das políticas públicas e maior presença estatal em articulação com as comunidades afetadas.

 

Assim, embora os resultados representem um avanço importante frente ao histórico de devastação e abandono enfrentado pelos Yanomami, especialistas e lideranças indígenas alertam para a necessidade de manter a vigilância, fortalecer serviços de saúde e garantir a sustentabilidade das ações voltadas à proteção territorial e a promoção da qualidade de vida dessas populações.