Ganância fala mais alto. Bancos fecham 8,9 mil postos 

Contradição é a palavra que define bem o sistema financeiro. Apesar da lucratividade na casa de dezenas de bilhões, os bancos promovem demissões constantes. Eliminaram 8.910 postos de trabalho no ano passado.

Por Ana Beatriz Leal

Contradição é a palavra que define bem o sistema financeiro. Apesar da lucratividade na casa de dezenas de bilhões, os bancos promovem demissões constantes. Eliminaram 8.910 postos de trabalho no ano passado. Os cortes vão na contramão da economia brasileira, que se recupera graças aos esforços da democracia social e gerou 1,28 milhão de empregos.
 

A situação só não foi mais catastrófica porque a Caixa registrou saldo positivo de 1.185 vagas no período. Os bancos múltiplos, com carteira comercial, como Santander, Itaú, Bradesco e BB, fecharam 9.138 postos. Ora, o sistema financeiro, o mais lucrativo do país, que não passa por crise, tem condições suficientes de manter e criar empregos e ajudar a economia girar. Não faz porque não quer. A ganância fala mais alto. 
 

Em 12 meses, o setor bancário desligou 45.381 trabalhadores e admitiu 36.471. Do total de desligamentos, as demissões sem justa causa representaram 56,3%, já as que ocorreram a pedido do trabalhador, 35,9%.
 

Os dados são de pesquisa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), com base nas informações do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do Ministério do Trabalho e Emprego. 
 

Outro fator é o rebaixamento salarial. O salário médio dos admitidos foi de R$ 7.906,00, o que corresponde a 91,09% da média salarial dos desligados (R$ 8.679,00).