Trabalhador em constante sofrimento

17% dos trabalhadores relataram episódios de assédio moral (72%) ou sexual (28%). A subnotificação é predominante, expondo a necessidade de revisão de práticas de gestão e de uma postura mais aberta das lideranças para lidar com o problema. O receio de retaliações e da perda do emprego segue como fator central. 

Por Itana Oliveira

A saúde mental do trabalhador atinge patamares alarmantes a cada novo levantamento. O Anuário do Censo de Saúde Mental nas Empresas 2025 traduz em números a rotina enfrentada diariamente pela classe. Os dados indicam que o agravamento do bem-estar psíquico é um fenômeno coletivo que se encontra em estágio crítico. O estudo que ouviu 174 mil respondentes foi conduzido pela Vittude, plataforma especializada em saúde mental, e apontou perdas significativas de produtividade, aumento de conflitos internos e sinais persistentes de sofrimento psicológico ainda pouco reconhecidos no ambiente corporativo.


O levantamento mostra que o presenteísmo, quando o profissional permanece em atividade, mas com rendimento reduzido por questões de saúde mental e estresse, está associado a uma perda média de 32% da produtividade, impactando entregas, ampliando falhas operacionais e desgastando o trabalho em equipe.


Outro dado relevante é que 17% dos trabalhadores relataram episódios de assédio moral (72%) ou sexual (28%). A subnotificação é predominante, expondo a necessidade de revisão de práticas de gestão e de uma postura mais aberta das lideranças para lidar com o problema. O receio de retaliações e da perda do emprego segue como fator central. 


O anuário também revela que 14,75% dos respondentes relataram ideação suicida, um dos dados mais alarmantes da questão, que traduzido, diz que o atual modelo de trabalho faz com que o funcionário perca a vontade de viver. A situação é cada vez mais grave. 


Os números demonstram que a negligência por parte das empresas agrava a questão e impacta todos os envolvidos.