Clima extremo, moradia em risco

Passou de cerca de 14 mil hectares em 1985 para mais de 43 mil hectares em 2024.

Por Caio Ribeiro

A urbanização em áreas suscetíveis a deslizamentos e inundações no Brasil mais do que triplicou ao longo das últimas quatro décadas, de acordo com análise recente da plataforma MapBiomas, passando de cerca de 14 mil hectares em 1985 para mais de 43 mil hectares em 2024. O crescimento supera o ritmo geral de expansão urbana do país e expõe um quadro preocupante de vulnerabilidade física e social da população que não tem outra opção de moradia.

 

Regiões como a de Juiz de Fora, gravemente afetada por fortes chuvas e deslizamentos em fevereiro de 2026, ilustram o impacto concreto dessa tendência: nessas áreas inclinadas, a combinação entre ocupação acelerada e eventos climáticos extremos tem resultado em tragédias com perdas humanas e destruição de lares.

 

Especialistas ouvidos no levantamento alertam que os municípios brasileiros, em grande parte, não estão preparados para enfrentar a crescente frequência e intensidade de eventos extremos, que tendem a se agravar com as mudanças do clima. A falta de infraestrutura adequada, ausência de planejamento urbano preventivo e insuficiência de políticas de adaptação colocam milhares em risco permanente.

 

Os dados reforçam que o agravamento da crise climática atinge de forma mais dura as populações de baixa renda, que acabam empurradas para áreas vulneráveis pela falta de alternativas habitacionais. Especialistas defendem a ampliação de políticas de prevenção, investimento em infraestrutura urbana e planejamento territorial que priorize a proteção da vida diante do aumento de eventos extremos.