Entregadoras de aplicativo denunciam violência

Relatos de entregadoras apontam casos de importunação por clientes, discriminação no trabalho e até violência sexual.

Por Caio Ribeiro

Mulheres que trabalham com entregas por aplicativos enfrentam jornadas extensas, insegurança e episódios recorrentes de assédio e violência nas ruas. A rotina de trabalho, muitas vezes superior a 12 horas por dia, expõe essas trabalhadoras a situações de vulnerabilidade, agravadas pela ausência de proteção adequada e de políticas específicas para a segurança das mulheres no setor.

 

Relatos de entregadoras apontam casos de importunação por clientes, discriminação no trabalho e até violência sexual. Em um dos casos denunciados, uma jovem entregadora foi vítima de estupro durante uma corrida de entrega em 2025, situação que provocou traumas psicológicos e a afastou temporariamente da atividade. Mesmo após o crime, ela precisou retornar ao trabalho para garantir a renda da família.

 

O crescimento do trabalho mediado por aplicativos também amplia o número de pessoas submetidas a essas condições. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que a quantidade de trabalhadores nesse tipo de atividade passou de 1,3 milhão para quase 1,7 milhão entre 2022 e 2024. Apesar disto, as mulheres ainda são minoria nas entregas, representando cerca de 16% da categoria.

 

Diante da precarização, entregadoras defendem a regulamentação do setor, com direitos básicos como taxa mínima por entrega, seguro, apoio contra assédio e melhores condições de trabalho. Para elas, a criação de regras claras e proteção social é fundamental para garantir segurança e dignidade a quem depende das plataformas para sobreviver.