Endividamento expõe crédito caro

A defesa do presidente Lula por mudanças nas regras do crédito rotativo do cartão, a modalidade mais cara do Brasil, dá esperança ao trabalhador, que só anda apertado, fazendo malabarismos para equilibrar as contas. Quase nunca é possível. 

Por Ana Beatriz Leal

O alto endividamento das famílias, reflexo do boicote do Banco Central que impõe juros elevados, limita, além da sobrevivência do brasileiro, os efeitos positivos de políticas como o aumento do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. E o problema preocupa o governo. 
 

A defesa do presidente Lula por mudanças nas regras do crédito rotativo do cartão, a modalidade mais cara do Brasil, dá esperança ao trabalhador, que só anda apertado, fazendo malabarismos para equilibrar as contas. Quase nunca é possível. 
 

Desde outubro passado, as famílias passaram a destinar cerca de 29% da renda ao pagamento de dívidas. É o maior percentual em pelo menos duas décadas. A inadimplência entre pessoas físicas é impulsionada principalmente pelo crédito rotativo do cartão, que registrou taxa de 63,5% em janeiro.

Na modalidade, os juros médios chegam a 14,81% ao mês, patamar que supera a taxa básica anual de juros da economia, a Selic, atualmente em 14,75%. 
 

No debate interno, ganha força a leitura de que há uma contradição entre os esforços de fortalecimento da democracia social, com políticas voltadas à geração de emprego, aumento da renda e redução das desigualdades, e a dinâmica de exploração imposta pelo sistema financeiro.