Pesquisa nacional marca avança histórico

Depressão, ansiedade, uso abusivo de álcool e outras drogas estão entre as principais causas de sofrimento e afastamento do trabalho no Brasil e no mundo.

Por Julia Portela

Dentro do ambiente laboral, o adoecimento dos trabalhadores se intensifica, evidenciando as consequências de um modelo que submete a vida à lógica do lucro. Neste contexto, a criação da Pesquisa Nacional de Saúde Mental pelo Governo Federal surge como uma resposta necessária e estratégica. A iniciativa inédita do Ministério da Saúde estabelece o primeiro grande estudo de base populacional voltado exclusivamente à compreensão da saúde mental da população adulta brasileira, fortalecendo o caminho para políticas públicas mais eficazes.

 

Depressão, ansiedade, uso abusivo de álcool e outras drogas estão entre as principais causas de sofrimento e afastamento do trabalho no Brasil e no mundo. Mais da metade da população brasileira já reconhece a saúde mental como uma preocupação central, resultado direto de jornadas exaustivas, metas abusivas e da pressão permanente por produtividade.

 

Os dados do INSS escancaram a realidade: entre 2012 e 2024, a categoria bancária, que representa apenas 0,8% do emprego formal, foi responsável por 2,18% dos 168,7 mil afastamentos acidentários registrados em 2024. No mesmo ano, os bancos múltiplos com carteira comercial lideraram os afastamentos por saúde mental, com 1.946 ocorrências, além de ocuparem a quinta posição nos afastamentos previdenciários, com 8.345 registros.

 

A ampliação de pesquisas, o levantamento de dados e a implementação de políticas públicas são instrumentos fundamentais para enfrentar essa crise como questão de saúde pública. A iniciativa do governo deve ser reconhecida como um avanço na defesa da classe trabalhadora, ao colocar o tema no centro do debate e apontar caminhos concretos para combater o adoecimento no trabalho.