IA nos bancos: corte nos empregos e muita pressão
O avanço da Inteligência Artificial no sistema financeiro brasileiro provoca impactos diretos sobre o emprego e preocupa ainda mais o movimento sindical. Sob o discurso da modernização, os bancos ampliam investimentos em tecnologia, enquanto reduzem estrutura, tanto física quanto humana, e intensificam a pressão por resultados.
Por Ana Beatriz Leal
O avanço da Inteligência Artificial no sistema financeiro brasileiro provoca impactos diretos sobre o emprego e preocupa ainda mais o movimento sindical. Sob o discurso da modernização, os bancos ampliam investimentos em tecnologia, enquanto reduzem estrutura, tanto física quanto humana, e intensificam a pressão por resultados.
Dados da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostram que 96% das instituições financeiras já utilizam IA, com investimentos que superam R$ 47 bilhões. Para os trabalhadores, porém, a transformação digital é sinônimo de enxugamento. Se antes mesmo da Inteligência Artificial o setor já promovia cortes sistemáticos, a tendência agora é de aprofundamento desta lógica.
Ano passado, os bancos eliminaram 8.910 postos de trabalho em todo o Brasil, apesar dos lucros bilionários, obtidos com os esforços dos bancários, diga-se de passagem. E não é pontual. Desde 2020, cerca de 26 mil vagas foram fechadas, conforme dados do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Os efeitos da “esperteza” dos bancos aparecem também na saúde da categoria e começam a ganhar repercussão no Judiciário. O Brasil registrou 546 mil afastamentos por transtornos mentais em 2025, aumento de 15%. O setor bancário lidera os casos. As demissões crescentes, a sobrecarga de trabalho e a insegurança diante da automação ampliam conflitos e tendem a gerar disputas jurídicas sobre direitos, condições de trabalho e os limites do uso da IA.
