Juros valem mais do que o desenvolvimento

O Brasil deve gastar cerca de R$ 1 trilhão por ano apenas com juros da dívida pública, apesar da recente queda da taxa básica de juros.

Por Ana Beatriz Leal

Enquanto a extrema-direita, descompromissada com o progresso do Brasil e a redução das desigualdades, se incomoda e critica os gastos do governo Lula com políticas sociais, há um silêncio conveniente diante de um dado muito mais revelador. O Brasil deve gastar cerca de R$ 1 trilhão por ano apenas com juros da dívida pública, apesar da recente queda da taxa básica de juros.
 

A redução da Selic, hoje em 14,75%, é insuficiente para alterar o quadro a curto prazo. As projeções indicam que os juros consumirão cerca de 8% do PIB (Produto Interno Bruto) este ano. Grande parte da dívida continuará sendo rolada a custos altos, o que mantém o gasto financeiro em níveis exorbitantes. 
 

Embora a situação do Brasil exija outro posicionamento, o Banco Central insiste em uma condução que mantém o custo do dinheiro elevado por tempo prolongado. Assim, o Estado direciona grandes recursos para o pagamento de juros, enquanto o crédito fica mais caro, o investimento produtivo esfria e o crescimento perde fôlego.
 

O Brasil segue entre os líderes do ranking mundial de juros reais. Figura na segunda posição, com 9,51%. Resultado de uma política monetária que privilegia o rentismo em detrimento da economia produtivo e do crescimento nacional.