Infância exposta à cultura da violência

Um levantamento da ONG Serenas mostra que 7 em cada 10 educadores presenciaram, apenas no último semestre, situações em que meninos sexualizaram colegas ou fizeram “cantadas” indesejadas. O dado acende um alerta: a violência de gênero começa a se manifestar na infância, como reflexo de uma cultura que naturaliza a submissão feminina.

Por Itana Oliveira

É cada vez mais frequente, relatos de professores sobre comportamentos de agressividade e desrespeito contra meninas dentro das salas de aula. Para especialistas, as atitudes não surgem do nada: crianças tendem a reproduzir o que veem no cotidiano, seja em casa ou na internet, onde conteúdos misóginos circulam com facilidade e incentivam a hostilidade contra mulheres.


Um levantamento da ONG Serenas mostra que 7 em cada 10 educadores presenciaram, apenas no último semestre, situações em que meninos sexualizaram colegas ou fizeram “cantadas” indesejadas. O dado acende um alerta: a violência de gênero começa a se manifestar na infância, como reflexo de uma cultura que naturaliza a submissão feminina.


Apesar da gravidade do cenário, a maioria dos professores não se sente preparada para lidar com os episódios. Cerca de 77% afirmam não ter formação adequada para enfrentar a situação, e apenas 1 em cada 3 teve acesso a algum tipo de capacitação sobre o tema.


O debate ganha mais destaque diante do aumento dos casos de violência contra a mulher. Se as crianças de hoje moldam a sociedade de amanhã, ignorar os sinais significa perpetuar o problema. Campanhas de conscientização são importantes, mas sem enfrentar as causas profundas dentro de casa, na escola e nas redes, o ciclo de violência não vai se interromper.