“Novo Desenrola” para remediar crise dos juros
O foco seria nas modalidades mais caras do mercado, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.
Por Ana Beatriz Leal
Em resposta ao alto nível de endividamento das famílias brasileiras, o governo federal articula a criação de um novo programa de renegociação de dívidas, o "Novo Desenrola". O foco seria nas modalidades mais caras do mercado, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.
O comprometimento da renda dos trabalhadores com dívidas é resultado do sistema financeiro que lucra com juros elevados e práticas que empurram consumidores para ciclos de dívida difíceis de romper.
O cenário é agravado pela política monetária do Banco Central, que mantém a Selic em patamares elevados, hoje está em 14,75% ao ano. Juros altos encarecem o crédito, ampliam o custo das dívidas e beneficiam o setor financeiro, enquanto penalizam consumidores que recorrem ao crédito para cobrir despesas básicas.
Obviamente, o “Novo Desenrola” vai causar um alívio para as famílias. Mas, é preciso ir além. Mudar a política de juros e a lógica do sistema financeiro. O rentismo deita e rola, com o aval do BC, enquanto o brasileiro vive de fazer contas para sobreviver.
