Sem agência e sem serviço
Desde 2015, de acordo com o Dieese, 638 municípios no país ficaram sem unidades, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, cerca de 9% da população brasileira.
Por Ana Beatriz Leal
A realidade do setor bancário mudou. As agências, que antes acumulavam filas, e gente circulando, agora são só meras fachadas. Desde 2015, de acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), 638 municípios no país ficaram sem unidades, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, cerca de 9% da população brasileira.
Hoje, são 2.649 municípios sem agências, o equivalente a 48% do total. Na Bahia, o cenário é o mesmo, apesar da intensa luta do Sindicato dos Bancários em diversas frentes para evitar o fechamento das unidades, que tanto prejudica o comércio, os bancários e os clientes.
Em cidades do interior, a rotina de muitos moradores passou a incluir viagens forçadas. Todo início de mês, muitos habitantes precisam acordar de madrugada para pegar um transporte até a cidade vizinha, a quilômetros de distância, para sacar a aposentadoria. Esta é a rotina também de quem precisa resolver pendência ou fazer depósitos, já que nem todo mundo tem acesso aos meios digitais.
A digitalização dos serviços, frequentemente apontada pelos bancos como solução, desconsidera a exclusão digital. Em muitas regiões da Bahia, o acesso à internet é instável ou inexistente, e grande parte da população, sobretudo idosos, não tem familiaridade com aplicativos e plataformas online. Sem agência, acesso digital e alternativas adequadas, milhares de baianos ficam à margem de um serviço essencial.
