Violência levou 900 mulheres à assistência médica em 2025
Cerca de 900 mulheres vítimas de violência foram atendidas por dia em unidades de saúde no ano passado, totalizando aproximadamente 330 mil atendimentos em 2025.
Por Itana Oliveira
O combate ao feminicídio está no centro das pautas do governo atual, em contraste com a extrema direita bolsonarista, que frequentemente minimiza a gravidade da violência contra a mulher. A diferença de abordagem se reflete em políticas, prioridade institucional e reconhecimento do problema como questão pública.
Dados levantados pela Folha de São Paulo em conjunto com o Ministério da Saúde mostram que cerca de 900 mulheres vítimas de violência foram atendidas por dia em unidades de saúde no ano passado, totalizando aproximadamente 330 mil atendimentos em 2025. Pesquisadores apontam que esse volume não indica necessariamente aumento da violência, mas avanço na identificação dos casos e na conscientização promovida por profissionais de saúde.
O perfil das vítimas se repete. Mulheres entre 20 e 49 anos, majoritariamente negras, com baixa escolaridade, agredidas dentro de casa por parceiros ou ex-parceiros. Ainda assim, os dados da saúde não coincidem com os da segurança pública, já que muitas mulheres relatam a violência nos atendimentos médicos, mas não formalizam denúncia. Além disto, estima-se que apenas 34% busquem algum tipo de assistência em saúde.
Entre 2015 e 2025, as mulheres representaram 71% das notificações de violência interpessoal, somando 2,3 milhões de casos. Mais da metade das vítimas atendidas na última década já havia sofrido violência anteriormente, reforçando a gravidade e permanência da violência de gênero no país.


