Imposto injusto: quem ganha menos paga mais
Os efeitos da distorção são evidentes: os 10% mais pobres chegam a comprometer cerca de um terço da renda com tributos, enquanto os mais ricos pagam proporcionalmente menos.
Por Caio Ribeiro
O sistema tributário brasileiro é marcado por uma profunda desigualdade: proporcionalmente, quem ganha menos paga mais impostos. Isto ocorre porque a maior parte da arrecadação no país está concentrada em tributos sobre o consumo, embutidos no preço de produtos e serviços essenciais, como alimentos, energia e transporte. Assim, trabalhadores e famílias de baixa renda, que comprometem quase toda a renda com consumo, acabam arcando com uma carga tributária mais pesada no dia a dia.
Ao contrário de países com sistemas mais progressivos, no Brasil a tributação sobre renda e patrimônio que atinge mais fortemente os mais ricos ainda é relativamente baixa. Estudos apontam que mais da metade da arrecadação vem de impostos indiretos, enquanto a taxação sobre renda representa uma parcela menor, o que contribui para manter privilégios e ampliar desigualdades.
Os efeitos da distorção são evidentes: os 10% mais pobres chegam a comprometer cerca de um terço da renda com tributos, enquanto os mais ricos pagam proporcionalmente menos. Em alguns casos, pesquisas indicam que a população de baixa renda pode pagar até três vezes mais impostos, em termos proporcionais, do que os super-ricos, evidenciando o caráter regressivo do sistema.
O debate sobre justiça tributária ganha centralidade no país. Especialistas defendem mudanças que reduzam o peso dos impostos sobre o consumo e ampliem a taxação sobre renda e patrimônio, como forma de combater desigualdades e promover maior equilíbrio social. Sem uma reforma estrutural, o modelo atual tende a continuar penalizando quem vive do trabalho e beneficiando quem concentra renda e riqueza.


