Mercado de trabalho penaliza mães no Brasil
Os dados revelam que 383.737 trabalhadoras foram demitidas sem justa causa até dois anos depois do fim da licença. O levantamento também aponta mais de 265 mil pedidos de demissão no mesmo período.
Por Caio Ribeiro
Mais de 382 mil mulheres perderam o emprego após retornarem da licença-maternidade no Brasil entre 2020 e 2025. Os dados, levantados pela SIT (Secretaria de Inspeção do Trabalho), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, revelam que 383.737 trabalhadoras foram demitidas sem justa causa até dois anos depois do fim da licença. O levantamento também aponta mais de 265 mil pedidos de demissão no mesmo período, evidenciando as dificuldades enfrentadas pelas mães no mercado de trabalho.
A legislação brasileira garante estabilidade à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, mas especialistas alertam que muitas empresas aguardam o fim desse período para realizar os desligamentos. O cenário expõe a persistência da discriminação contra mulheres que se tornam mães e reforça a desigualdade nas relações de trabalho.
Os números confirmam a necessidade de ampliar políticas de proteção às mulheres trabalhadoras, garantir estabilidade real após a maternidade e combater práticas discriminatórias nos ambientes de trabalho. A defesa de condições dignas para as mães trabalhadoras também passa pela valorização da licença-maternidade e pela construção de relações de trabalho mais justas e igualitárias.


