O abismo entre os bancos e os bancários
Dados do Departamento Socioeconômico do Sindicato dos Bancários da Bahia compara o crescimento dos lucros dos bancos, entre 1995 e 2025, com o salário médio dos bancários. A diferença é ofensiva.
Por Ana Beatriz Leal
É abissal, aberrante, para não dizer revoltante, a diferença entre a lucratividade dos bancos e a remuneração dos trabalhadores, que, na prática, é quem move a alavanca da máquina de lucro das empresas.
Dados do Departamento Socioeconômico do Sindicato dos Bancários da Bahia compara o crescimento dos lucros dos bancos, entre 1995 e 2025, com o salário médio dos bancários. A diferença é ofensiva.
No Itaú, o lucro saltou em uma faixa de 550% a 650%, enquanto o salário dos trabalhadores que geram essa riqueza subiu apenas 20%. No Banco do Brasil, os ganhos cresceram entre 400% e 500%, contra um reajuste de 25% para os funcionários.
O Santander registrou altas de 350% a 450% nos lucros, deixando apenas 15% de ganho salarial para os trabalhadores, enquanto o Bradesco viu a lucratividade subir de 300% a 400%, repassando somente 18% de recomposição salarial.
Os bancos lucram muito, mas oferecem pouco quando se trata de estrutura física e valorização profissional. Além de retirar direitos, adoecer e demitir, as empresas também fecham agências, sobretudo no interior, em claro prejuízo à economia local e aos clientes. Menos agência, mais exclusão e desemprego.


