A ganância dos bancos e o sumiço das agências 

Em uma década, o mapa bancário baiano foi reduzido, drasticamente. Em 2016, o Estado contava com 1.095 agências. As quedas foram sucessivas e, em 2025, o número chegou a 756 e, agora em 2026, restam apenas 738 unidades. Somente nos primeiros meses deste ano, os bancos já encerraram as atividades de 18 pontos de atendimento.

Por Ana Beatriz Leal

Enquanto os lucros dos grandes bancos saltam aos olhos e preenchem as curvas ascendentes dos gráficos, o cenário nas ruas é de portas fechadas e tapumes nos locais onde funcionavam as agências. Dados levantados pelo Departamento Socioeconômico do Sindicato dos Bancários da Bahia confirmam a desbancarização forçada no Estado. 
 

Em uma década, o mapa bancário baiano foi reduzido, drasticamente. Em 2016, o Estado contava com 1.095 agências. As quedas foram sucessivas e, em 2025, o número chegou a 756 e, agora em 2026, restam apenas 738 unidades. Somente nos primeiros meses deste ano, os bancos já encerraram as atividades de 18 pontos de atendimento.
 

Para os clientes, a medida significa filas maiores, deslocamentos quilométricos e a desumanização de um serviço essencial. Para os bancários, sobrecarga, medo, pressão, assédio e demissão. 
 

Os bancos privados lideram a debandada. O Bradesco, que possuía 317 agências em 2016, reduziu a presença no Estado para quase a metade, operando hoje com apenas 164 unidades. O Itaú despencou de 92 agências para apenas 36 no mesmo período. O Banco do Brasil passou de 328 para 231; a Caixa recuou de 219 para 202; o Santander reduziu de 46 para 29; e o BNB baixou de 65 para 59 unidades. 
 

Em meio à eliminação deliberada na estrutura física e humana, o sistema financeiro segue despontando como o mais lucrativo da economia nacional. Os grandes bancos fecharam 2025 com um lucro líquido combinado de R$ 107,8 bilhões. No mesmo período, eliminou 8.910 postos de trabalho.