Crise climática tem CEP e classe social
A população que vive nas periferias e em áreas de maior vulnerabilidade social enfrenta os maiores riscos, consequência de décadas de ocupação desordenada, falta de infraestrutura urbana e ausência de investimentos em prevenção.
Por Caio Ribeiro
As enchentes que têm atingido diversas cidades brasileiras reforçam que os impactos da crise climática não são distribuídos de forma igual. A população que vive nas periferias e em áreas de maior vulnerabilidade social enfrenta os maiores riscos, consequência de décadas de ocupação desordenada, falta de infraestrutura urbana e ausência de investimentos em prevenção.
Em muitos desses territórios, alagamentos e deslizamentos provocam perdas de moradias, interrupção de serviços públicos, dificuldades de mobilidade e comprometimento da renda das famílias. A situação evidencia como fatores sociais, econômicos e raciais influenciam diretamente a exposição da população aos efeitos dos eventos climáticos extremos.
Especialistas defendem que enfrentar tal cenário exige mais do que ações emergenciais após as tragédias. É necessário ampliar investimentos em saneamento, drenagem, habitação, planejamento urbano e adaptação climática, com prioridade para as comunidades historicamente negligenciadas pelo poder público.
A intensificação das mudanças climáticas torna cada vez mais urgente a adoção de políticas públicas capazes de reduzir desigualdades e proteger a população mais vulnerável. Sem medidas estruturantes, os eventos extremos tendem a ampliar as injustiças sociais e a expor milhões de brasileiros a riscos cada vez maiores.


