Bets: o jogo que a mídia também quer ganhar

O caso ocorre em um momento de consolidação das apostas no futebol brasileiro. Casas de apostas patrocinam campeonatos, estampam uniformes de clubes e estão presentes em transmissões e programas esportivos. O resultado é uma exposição constante que transforma as apostas em parte da experiência de acompanhar o esporte.

Por Juliana Ambrozi

A investigação da Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, sobre a publicidade de casas de apostas na CazéTV reacende o debate sobre a crescente presença das bets nas transmissões esportivas brasileiras. O canal, o maior do YouTube na cobertura de esporte, reúne quatro casas de apostas entre os patrocinadores e passou a ser alvo de investigação preliminar após denúncias de espectadores sobre o excesso de publicidade das apostas online na programação.

 

O caso ocorre em um momento de consolidação das apostas no futebol brasileiro. Casas de apostas patrocinam campeonatos, estampam uniformes de clubes e estão presentes em transmissões e programas esportivos. O resultado é uma exposição constante que transforma as apostas em parte da experiência de acompanhar o esporte.

 

O modelo de financiamento da CazéTV não se limita aos canais nativo-digitais. Emissoras tradicionais como Globo, Band e SBT também mantém contratos publicitários com casas de apostas e exibem suas marcas nas transmissões e eventos esportivos de grande audiência. A presença constante das bets na mídia evidencia como o mercado passou a ocupar espaço central na economia do esporte e da comunicação.

 

Ao mesmo tempo, a preocupação com os impactos deste modelo aumenta. Especialistas e órgãos de defesa do consumidor alertam que a publicidade frequente contribui para normalizar as apostas, especialmente entre jovens e pessoas em situação de maior vulnerabilidade econômica. A associação constante entre futebol, entretenimento e possibilidade de ganho financeiro fortalece um mercado bilionário que financia o endividamento e a dependência do jogo.

 

A contradição também aparece na comunicação dos próprios veículos. Enquanto campanhas alertam para os riscos das plataformas ilegais, como o investigado “Tigrinho”, as transmissões seguem abrindo espaço para a publicidade de casas de apostas regulamentadas. A diferença jurídica entre os dois modelos não elimina os questionamentos da promoção contínua de jogos de azar em meios de comunicação de grande alcance.