Setembro Amarelo: uma categoria adoecida
Setembro é marcado pela campanha de prevenção ao suicídio e a valorização da vida. Na categoria bancária, falar sobre saúde mental vai muito além de olhar para o indivíduo. É, também, ter uma atenção especial as condições de trabalho.
Por Rose Lima
Setembro é marcado pela campanha de prevenção ao suicídio e a valorização da vida. Na categoria bancária, falar sobre saúde mental vai muito além de olhar para o indivíduo. É, também, ter uma atenção especial as condições de trabalho.
A rotina de cobrança de metas, assédio, ameaças e sobrecarga cria um ambiente de estresse e insegurança. Tanto que os transtornos mentais já respondem por 53% dos afastamentos dos bancários. Entre as demais categorias, o índice é de 14%. O dado do INSS revela a dimensão do problema, denunciado há anos pelo movimento sindical.
Um dos graves problemas é comprovar a relação entre o adoecimento e o trabalho. O não reconhecimento do nexo ocupacional pode deixar o trabalhador mais vulnerável, dificultando o acesso a garantias previstas quando a doença é caracterizada como relacionada ao trabalho, como o direito à estabilidade de 12 meses após o retorno.
E não para por aí. A subnotificação contribui para invisibilizar a dimensão real das condições de trabalho adoecedoras que os bancários estão expostos diariamente. O trabalhador é submetido a uma rotina que pode adoecê-lo e, quando isso acontece, muitas vezes ainda precisa enfrentar dificuldades para ter a doença reconhecida.


