El Niño agrava seca na Amazônia

A seca atingiu 38% das áreas habitadas da Amazônia, aponta o MapBiomas. Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água da região ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica. As chuvas foram 27% menores e as temperaturas máximas ficaram, em média, 2,6°C acima do esperado.

Por Caio Ribeiro

Os impactos do último El Niño ainda estão na memória de boa parte dos brasileiros e as previsões para a nova ocorrência aumentam a preocupação. A expectativa é de que o fenômeno atual esteja entre os mais fortes já registrados, com potencial para provocar novamente extremos de temperatura, seca e chuvas intensas em diferentes regiões do Brasil.

 

Na última ocorrência, a seca atingiu 38% das áreas habitadas da Amazônia, aponta o MapBiomas. Entre setembro e novembro de 2024, a superfície de água da região ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica. As chuvas foram 27% menores e as temperaturas máximas ficaram, em média, 2,6°C acima do esperado. Cidades, comunidades rurais, territórios indígenas, quilombolas e assentamentos sentiram os efeitos da redução dos rios e do aumento do estresse hídrico. Agora, o alerta é para a possibilidade de um cenário mais severo.

 

O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, interfere na circulação atmosférica e pode provocar diferentes extremos climáticos pelo país. Norte e Nordeste registram mais calor e estiagem, enquanto o Sul fica mais sujeito a chuvas intensas, enchentes e deslizamentos. No Centro-Oeste e Sudeste, a irregularidade das chuvas e as altas temperaturas podem afetar a agricultura, os reservatórios e favorecer incêndios.