Escala 6x1 concentra sobrecarga de trabalho e horas extras
De acordo com o estudo, até outubro de 2025 as empresas analisadas acumularam cerca de 136 milhões de horas extras, geradas por mais de 1 milhão de trabalhadores formais.
Por Ana Beatriz Leal
A escala 6x1 desponta como o regime de trabalho que mais concentra excesso de jornada e amplia riscos trabalhistas, de saúde e financeiros no país. Dados de um levantamento da VR, empresa de soluções para trabalhadores e empregadores, evidenciam um cenário de sobrecarga, que corrobora a necessidade de pôr fim ao modelo, alvo de forte resistência do setor empresarial e de parte do Congresso Nacional.
De acordo com o estudo, até outubro de 2025 as empresas analisadas acumularam cerca de 136 milhões de horas extras, geradas por mais de 1 milhão de trabalhadores formais que registram ponto por meio do SuperApp VR e de outros sistemas. A maior está associada à escala 6x1, na qual o empregado trabalha seis dias consecutivos e descansa apenas um.
A pesquisa mostra 29% dos casos de excesso moderado, com jornadas entre 44 e 54 horas semanais; 41,9% dos registros de excesso significativo, entre 54 e 64 horas; 19,6% de excesso extremo, com mais de 64 horas semanais.
São milhões de trabalhadores submetidos a rotinas exaustivas, com impactos diretos sobre a saúde física e mental, o convívio social e a produtividade. Especialistas apontam que jornadas prolongadas elevam o risco de acidentes, adoecimento ocupacional, afastamentos e passivos trabalhistas, custos que recaem tanto sobre os trabalhadores quanto sobre as próprias empresas e o sistema público de saúde.
O cenário ganha ainda mais relevância diante da atualização da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), que entra em vigor em maio de 2026. A nova redação amplia a responsabilidade das empresas na GRO (Gestão de Riscos Ocupacionais), incluindo de forma mais explícita os riscos físicos, ergonômicos e psicossociais, como estresse crônico, fadiga e burnout, que têm relação com jornadas excessivas e à lógica da escala 6x1.
