Tecnologia não pode ser ferramenta de opressão

No momento em que o multilateralismo recua, o mundo assiste o avanço tecnológico e fica mais evidente a necessidade do debate responsável sobre a soberania digital. Inovação, de forma nenhuma, pode ser uma ferramenta de opressão. 

Por Ana Beatriz Leal

No momento em que o multilateralismo recua, o mundo assiste o avanço tecnológico e fica mais evidente a necessidade do debate responsável sobre a soberania digital. Inovação, de forma nenhuma, pode ser uma ferramenta de opressão. 
 

A posição do presidente Lula, de que a tecnologia carrega um grande dilema ético e político da Quarta Revolução Industrial, corrobora com a defesa do Brasil, de uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a inteligência artificial fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países.
 

Enquanto há avanços no ramo da tecnologia, também persiste um abismo digital. De acordo com dados da União Internacional de Telecomunicações, 2,6 bilhões de pessoas permanecem fora do universo conectado, o que amplia o risco de exclusão diante do crescimento da IA. 
 

Além disto, a discussão sobre dominação, como é o caso das big techs, é premente. Hoje um seleto grupo tem controle dos algoritmos e infraestruturas digitais. É um modelo negócio baseado na exploração de dados pessoais, de renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos que amplificam a radicalização política. O regime de governança destas empresas define quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem do processo. Dominação total.