Empresas fogem da gestão de riscos psicossociais

De acordo com o levantamento, enquanto iniciativas direcionadas ao assédio moral e discriminação têm maior presença formal nas empresas, as políticas ligadas a estresse, sobrecarga de trabalho e saúde mental estão menos presentes.

Por Ana Beatriz Leal

Diante do alarmante índice de adoecimento ligado ao trabalho, foram mais de 546 mil afastamentos por saúde mental ano passado, é problemático o atraso das empresas em consolidar as práticas de prevenção a riscos psicossociais. 
 

A pesquisa “Ambientes Seguros e Saudáveis”, do Instituto Livre de Assédio, revela que em uma escala de 1 a 5, com 5 representando o maior nível de maturidade, 37% das organizações se autoavaliaram no nível 3.
 

Do total, 23% atribuíram nota 2 e 14% nota 1. Nos níveis mais avançados, 20% indicaram nota 4 e somente 6% chegaram ao nível 5. 
 

De acordo com o levantamento, enquanto iniciativas direcionadas ao assédio moral e discriminação têm maior presença formal nas empresas, as políticas ligadas a estresse, sobrecarga de trabalho e saúde mental estão menos presentes.
 

Pautas com histórico jurídico e regulatório mais longo acabam por estarem mais institucionalizadas, o que comprova quer as organizações só agem quando são obrigadas, já fatores relacionados à organização do trabalho e ao equilíbrio emocional não têm a atenção devida.  
 

O debate, inclusive, ganhou mais corpo com a NR-1, que exige a identificação, avaliação e controle de fatores que possam atingir a saúde do trabalhador. A Norma Regulamentadora nº 1 entra em vigor em maio e a lentidão das organizações dá a dimensão do desprezo pela saúde do trabalhador, que é tratado, de modo geral, como uma máquina que tem obrigação de produzir a qualquer custo.