Crise democrática dos EUA e os limites do capitalismo

Baseado em dados do ano passado, o relatório aponta que o país enfrenta um processo contínuo de deterioração institucional, marcado pelo enfraquecimento das garantias civis, pela perda de equilíbrio entre os poderes e pela crescente influência de interesses econômicos sobre a política

Por Julia Portela

A principal potência capitalista do mundo já não sustenta o título de maior democracia liberal do planeta. Segundo o Democracy Report 2026, do instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, os Estados Unidos foram rebaixados à categoria de democracia eleitoral após décadas sendo vendidos como referência global. O dado expõe, de forma incontornável, a crise de um sistema que prioriza o mercado enquanto corrói direitos e instituições.

 


Baseado em dados do ano passado, o relatório aponta que o país enfrenta um processo contínuo de deterioração institucional, marcado pelo enfraquecimento das garantias civis, pela perda de equilíbrio entre os poderes e pela crescente influência de interesses econômicos sobre a política. A chamada “democracia modelo” revela-se incapaz de assegurar direitos básicos à sua própria população.

 


Enquanto isto, o Brasil aparece melhor posicionado no ranking, também como democracia eleitoral, mas em um cenário de recomposição institucional. Mesmo sob pressões e disputas internas, o país demonstra maior capacidade de preservar mecanismos democráticos do que a principal vitrine do capitalismo global.

 


O rebaixamento dos Estados Unidos escancara os limites do projeto ultraliberal, que aprofunda desigualdades, concentra poder e fragiliza a soberania popular. O que se vê é a queda de um mito: o de que o livre mercado, sem freios, pode coexistir com democracia plena e direitos garantidos para a classe trabalhadora.