Conferência define prioridades da categoria para a Campanha Nacional 2026
As propostas aprovadas pela conferência refletem essas preocupações e serão defendidas na etapa nacional.
Por Julia Portela
Após três dias de intensos debates, a 28ª Conferência dos Bancários da Bahia e Sergipe foi encerrada neste domingo (31/05) com a definição das prioridades que serão levadas à Conferência Nacional dos Bancários e irão orientar a Campanha Nacional 2026. Saúde mental, defesa do emprego diante do avanço tecnológico, igualdade de oportunidades e ampliação de direitos estiveram entre os principais consensos construídos pelos delegados, reforçando a disposição da categoria de enfrentar os desafios impostos pelo setor financeiro sem abrir mão de conquistas históricas.
A mesa de encerramento contou com a participação de Andreia Sabino, da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe (FEEB-BA/SE), Elder Perez, presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Adilson Azevedo, presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe, e Hermelino Neto, secretário-geral da Federação. Durante o balanço da conferência, os dirigentes destacaram que os debates sobre saúde, igualdade de oportunidades e novas tecnologias apontaram para um mesmo desafio: defender o trabalho bancário diante das transformações do setor, garantindo mais proteção, inclusão e qualidade de vida.
Entre as preocupações que mais mobilizaram os participantes esteve o avanço do adoecimento na categoria. A saúde foi apontada como prioridade para a próxima campanha salarial, especialmente após a Fenaban aceitar a instalação de uma mesa específica para o pacto pela saúde dos trabalhadores, que precisa ser cobrada sua instação. Os debates também destacaram a necessidade de garantir a implementação efetiva da NR-1, com participação sindical na fiscalização das medidas adotadas pelos bancos, além da cobrança por avaliações psicológicas periódicas. Outro tema que ganhou força foi o impacto das novas tecnologias e da inteligência artificial no emprego bancário. Os dirigentes alertaram para o aumento das demissões em meio aos lucros recordes do setor e criticaram a falta de acompanhamento sindical sobre as condições de trabalho no home office, enquanto os bancos ampliam mecanismos de monitoramento dos trabalhadores.
As propostas aprovadas pela conferência refletem essas preocupações e serão defendidas na etapa nacional. Entre elas estão reajuste salarial com reposição do INPC mais 5% de ganho real, aumento do piso salarial, ampliação da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), manutenção do vale-alimentação e vale-refeição durante afastamentos pelo INSS, fim do contracheque negativo, indenização para trabalhadores demitidos injustamente em bancos com elevados lucros, fortalecimento das políticas voltadas para pais e mães atípicos, abono de faltas para acompanhamento médico de dependentes, ampliação das ações de diversidade e inclusão, combate ao assédio e à discriminação, além da defesa da jornada 4x3 e da redução da jornada de trabalho. Também foram aprovadas propostas para fortalecer a regulamentação do sistema financeiro e ampliar a participação dos trabalhadores nos processos de transformação tecnológica do setor.
A conferência também aprovou a delegação que representará a Federação na Conferência Nacional dos Bancários. Das 30 vagas destinadas à Bahia e Sergipe, 10 serão ocupadas por representantes do Sindicato dos Bancários da Bahia, além de delegados de Irecê, Jequié, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Sergipe, Ilhéus, Jacobina, Oeste da Bahia, Itabuna, Juazeiro, Camaçari e Extremo Sul. Os sindicatos também apresentarão nomes para coordenação dos encontros por bancos nas próximas etapas do processo. O encerramento da 28ª Conferência reafirmou o caráter democrático da organização da categoria e a construção coletiva das lutas dos bancários, fortalecendo uma pauta que une saúde, emprego, inclusão e valorização do trabalho em um cenário cada vez mais desafiador para categoria.


