Rotina de medo e assédio moral no Santander

Ainda há uma série de irregularidades. Sem agência fixa, sem registro formal da jornada por meio de ponto eletrônico e utilizando celulares particulares para desempenhar atividades do banco, os Especialistas B1 convivem diariamente com a invasão do tempo de descanso. 

Por Rose Lima

Em visita às agências do Santander, os diretores Sindicato e da Federação dos da Bahia e Sergipe se depararam com uma realidade preocupante. Além das condições de trabalho marcadas por sobrecarga, insegurança e desrespeito, a escalada de assédio moral praticada pela direção do banco é aterrorizante.


Os casos não se limitam aos bancários que trabalham internamente. Atingem também os funcionários Especialistas B1. Os profissionais atuam diretamente no atendimento a pessoas jurídicas, com visitas externas e cobranças em diversos pontos de Salvador e da Região Metropolitana. 


A rotina inclui deslocamentos constantes para áreas de risco, muitas vezes sem qualquer estrutura adequada de proteção. Há relatos de trabalhadores que já estiveram diante de situações extremas, inclusive sob ameaça de arma de fogo durante o exercício das funções.


Ainda há uma série de irregularidades. Sem agência fixa, sem registro formal da jornada por meio de ponto eletrônico e utilizando celulares particulares para desempenhar atividades do banco, os Especialistas B1 convivem diariamente com a invasão do tempo de descanso. 


Mensagens, cobranças e demandas podem chegar à noite, nos finais de semana e durante períodos que deveriam ser destinados ao convívio familiar e à recuperação física e mental. A jornada também extrapola os limites. As atividades iniciam por volta das 8h30 e só encerram após as 19h30. Na prática, o direito à desconexão simplesmente não existe.


Para piorar, ao invés de corrigir os problemas, o gestor responde com retaliação, realizando duas reuniões presenciais diárias, aumentando a pressão e ameaçando quem procurar o Sindicato, uma atitude claramente antissindical. A situação é grave. O Sindicato e a Federação vão cobrar providências imediatas da direção do Santander e exigir mudanças. O objetivo é garantir o respeito à jornada de trabalho, ao direito à desconexão e proteger a saúde dos trabalhadores.