Trabalho precarizado agrava doenças na Bahia

Em Salvador, principal centro econômico do Estado, concentra-se historicamente a maior parte dos afastamentos. A realidade é ainda mais evidente no sistema financeiro.

Por Julia Portela

O avanço dos transtornos mentais entre trabalhadores na Bahia escancara uma rotina cada vez mais marcada por pressão, metas abusivas e insegurança. Ano passado, o Estado registrou 22.587 afastamentos, segundo dados do Ministério da Previdência Social e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). 

 

Em Salvador, principal centro econômico do Estado, concentra-se historicamente a maior parte dos afastamentos. A realidade é ainda mais evidente no sistema financeiro, no qual metas abusivas, assédio institucionalizado e retirada de direitos vêm sendo denunciados de forma recorrente, há muito tempo, pelo Sindicato dos Bancários, mostrando um ambiente adoecedor que prioriza apenas o lucro.


O problema está diretamente ligado à lógica de precarização impulsionada no país, agravada diante de um Congresso Nacional que atua para flexibilizar direitos e aprofundar a exploração. Este movimento se reflete nos estados, pressionando ainda mais os trabalhadores e ampliando os impactos sobre a saúde mental.


Entre as principais causas dos afastamentos estão transtornos ansiosos, depressivos e afetivo bipolar. Os dados do INSS consideram apenas empregados regidos pelo Regime Geral de Previdência Social, com afastamentos superiores a 15 dias e benefícios por incapacidade temporária, deixando de fora uma parcela significativa de trabalhadores adoecidos, o que reforça a subnotificação e a gravidade real do problema.