Educação na mira da extrema direita
Ao declarar que “o homeschooling é imparável”, o deputado mais votado do país reforça um projeto de sociedade marcado pela desigualdade, pelo privilégio e pelo enfraquecimento da educação pública.
Por Julia Portela
Mais uma vez demonstrando alinhamento com pautas que beneficiam uma pequena parcela privilegiada da sociedade, o deputado federal Nikolas Ferreira defendeu a regulamentação do homeschooling durante audiência realizada no Congresso Nacional. A modalidade, que permite aos pais assumirem diretamente a formação escolar dos filhos fora da rede regular de ensino, foi tratada pelo parlamentar como prioridade política. Segundo Nikolas, a educação deve estar subordinada à autoridade dos pais, e ele afirmou que pretende dialogar com a senadora Professora Dorinha Seabra, relatora do projeto no Senado, para avançar com a proposta.
Ao declarar que “o homeschooling é imparável”, o deputado mais votado do país reforça um projeto de sociedade marcado pela desigualdade, pelo privilégio e pelo enfraquecimento da educação pública. Trata-se do mesmo parlamentar que se posicionou contra o fim da escala 6x1, ignorando a realidade de milhões de trabalhadores que enfrentam jornadas exaustivas, longos deslocamentos e pouco tempo para conviver com a própria família. Para essa maioria da população, a possibilidade de dedicar-se integralmente à educação dos filhos simplesmente não existe.
A defesa do homeschooling revela uma profunda desconexão com a realidade brasileira. Enquanto trabalhadores lutam diariamente para garantir renda, alimentação e acesso a serviços básicos, setores conservadores insistem em promover políticas pensadas para famílias com elevado poder aquisitivo, capazes de contratar estrutura, materiais e acompanhamento educacional privado. Não se trata de ampliar direitos, mas de criar mecanismos que aprofundam desigualdades já existentes.
A proposta também representa um ataque à valorização dos profissionais da educação. Professores dedicam anos de formação para desenvolver conhecimento pedagógico, didática e capacidade de acompanhamento do processo de aprendizagem. Ainda assim, convivem com baixos salários, precarização e frequentes ataques à sua atuação. Ao sugerir que qualquer responsável, sem formação específica, possa substituir a escola e seus profissionais, o homeschooling contribui para a descredibilização da educação pública e atende aos interesses de uma elite conservadora que historicamente investe no enfraquecimento dos serviços públicos essenciais.


