Bancários aprovam 5% de aumento real em Conferência

Depois de três dias de intensos debates, os bancários aprovaram, neste domingo (21/06), no encerramento da Conferência Nacional, em São Paulo, 5% de aumento real nos salários e demais verbas. Além de propostas de combate as metas abusivas, ao adoecimento físico e mental, e de defesa do emprego e da rede de agências físicas.

Por Caio Ribeiro

 

Depois de três dias de intensos debates e da análise de mais de 70 propostas apresentadas por delegados e delegadas de todo o país, a 28ª Conferência Nacional dos Bancários aprovou, neste domingo (21), a pauta de reivindicações que orientará a campanha salarial 2026. O principal destaque é a reivindicação de 5% de aumento real nos salários e em todas as verbas econômicas da categoria, incluindo Participação nos Lucros e Resultados (PLR), vale-alimentação (VA) e vale-refeição (VR).

 

A minuta será entregue à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta quarta-feira (24), marcando o início das negociações com o setor que, ano após ano, registra lucros bilionários enquanto amplia a pressão por metas, reduz postos de trabalho e acelera processos de digitalização sem a devida proteção aos trabalhadores.

 

Construída a partir das conferências estaduais e regionais realizadas em todo o país, a pauta aprovada reafirma a defesa da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) nacional e da mesa única de negociação, instrumentos fundamentais para garantir direitos e impedir a fragmentação das conquistas históricas da categoria.

 

Além da valorização salarial, os bancários defenderão a manutenção do atual modelo de PLR e o fortalecimento dos benefícios, diante do aumento do custo de vida e da necessidade de preservar o poder de compra dos trabalhadores. A avaliação dos delegados é de que os excelentes resultados financeiros apresentados pelos bancos precisam ser compartilhados com aqueles que efetivamente produzem essa riqueza.

 

A saúde da categoria também ocupou o centro dos debates. A conferência aprovou propostas para combater as metas abusivas, o assédio moral e o adoecimento físico e mental dos trabalhadores, problemas que se agravaram nos últimos anos em meio à reestruturação permanente do setor financeiro. A valorização dos aposentados e dos trabalhadores mais experientes também foi incorporada à pauta.

 

Outro eixo estratégico discutido durante o encontro foi o impacto das transformações tecnológicas no mundo do trabalho. Os participantes defenderam que os ganhos gerados pela inteligência artificial e pela digitalização dos serviços bancários sejam distribuídos de forma mais justa, garantindo proteção ao emprego, qualificação profissional e respeito à privacidade dos trabalhadores, especialmente no teletrabalho.

 

A conferência também aprovou resoluções políticas que apontam para a necessidade de maior regulação do sistema financeiro, redução da taxa de juros, fortalecimento da democracia, defesa da soberania nacional e ampliação da participação social nas decisões econômicas do país. Os delegados destacaram que a luta dos bancários está diretamente ligada ao desenvolvimento nacional, à geração de empregos e ao combate às desigualdades.

 

Entre as moções aprovadas estão a defesa do controle democrático do Banco Central, o combate às práticas antissindicais, a rejeição à precarização das relações de trabalho e a defesa de um sistema financeiro que esteja a serviço da sociedade e não apenas da maximização dos lucros.

 

Com a aprovação da pauta, os bancários encerram a etapa de construção coletiva da campanha salarial e iniciam uma nova fase de mobilização. O desafio agora será transformar as reivindicações aprovadas em conquistas concretas na mesa de negociação, reforçando a luta por valorização, direitos e melhores condições de trabalho para toda a categoria.