Bradesco: uma agência para muitos municípios
O retrato mais recente do desmonte acontece em Crisópolis, no Nordeste baiano. Após o encerramento de postos de atendimento e agências em cidades da região, como Inhambupe, Nova Soure, Acajutiba e Rio Real, o município passou a concentrar praticamente toda a demanda.
Por Rose Lima
A piora no fechamento de agências e postos de atendimento do Bradesco causa transtornos em muitos municípios da Bahia. Os clientes enfrentam filas intermináveis, deslocamentos cada vez maiores e dificuldades para acessar serviços básicos. Já os bancários trabalham sob intensa sobrecarga e pressão.
O retrato mais recente do desmonte acontece em Crisópolis, no Nordeste baiano. Após o encerramento de postos de atendimento e agências em cidades da região, como Inhambupe, Nova Soure, Acajutiba e Rio Real, o município passou a concentrar praticamente toda a demanda.
O cenário é de colapso. Apenas três funcionários se desdobram para atender clientes de diversos municípios. A espera ultrapassa duas horas e meia. Entre os usuários estão idosos, pessoas com mobilidade reduzida, clientes com crianças de colo e trabalhadores que precisam passar boa parte do dia na agência para resolver problemas como desbloqueio de cartões, contratação de crédito.
O flagrante foi feito pelo diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, Luiz Araújo, durante visita à região. Segundo ele, a situação é incompatível com o porte e os lucros do banco. “É uma situação de extrema precariedade. A população é submetida a uma espera desumana, enquanto os funcionários trabalham no limite”.
O caso de Crisópolis não é isolado. Há anos, o Bradesco promove corte da rede física. Na Bahia, o número de agências caiu de 317, em 2016, para 165 no ano passado, praticamente metade da rede em menos de uma década. Somente no ano passado, 19 unidades encerraram as atividades.
A política de cortes contrasta com os resultados da empresa. No mesmo período em que fechou dezenas de unidades e reduziu o atendimento presencial, o Bradesco registrou lucro de R$ 24,6 bilhões. O Sindicato estuda medidas para denunciar a precarização do atendimento e cobrar do banco providências imediatas.


