Redução da jornada no radar

A semana de quatro dias de trabalho entrou de vez no debate da campanha salarial dos bancários, com a apresentação de experiências de redução da jornada e os resultados de um piloto realizado no Brasil durante a 10ª rodada de negociação, realizada nesta terça-feira (25/08).

Por Rose Lima

A semana de quatro dias de trabalho entrou de vez no debate da campanha salarial dos bancários, com a apresentação de experiências de redução da jornada e os resultados de um piloto realizado no Brasil durante a 10ª rodada de negociação, realizada nesta terça-feira (25/08). Sinal de que os bancos começam a considerar uma nova forma de organizar o tempo de trabalho.

 

O assunto não é novo na mesa. Na campanha de 2024, a semana de quatro dias já constava na minuta. Mas, naquele momento, a proposta parecia muito distante. De lá para cá, houve um movimento importante em torno da redução da jornada e o debate ganhou força. Agora, a realidade parece menos distante.

 

A mudança de postura é uma sinalização importante e dá um novo viés à discussão. A diminuição da jornada deixa de ser apenas uma perspectiva de longo prazo e passa a integrar um debate que já encontra experiências concretas em andamento.

 

O resultado mais perceptível vem do próprio piloto. Realizado com 19 empresas e 243 trabalhadores dos mais diversos setores, o projeto diminuiu a média semanal de trabalho de 43 para 35 horas ao longo de um ano. A experiência mostrou que a redução pode ser acompanhada por mudanças na organização dos processos e que, na maioria das semanas, as empresas já operavam em quatro dias.

 

A apresentação também destacou efeitos positivos sobre o trabalho e a vida dos trabalhadores. Há relatos de mais criatividade, produtividade, energia para realizar as tarefas, satisfação e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

 

Uma pesquisa da Gallup reforça a importância da medida. Segundo os dados, o engajamento dos trabalhadores no mundo caiu para 20% em 2025. A estimativa é que a baixa produtividade tenha representado cerca de US$ 10 trilhões em perdas no último ano, o equivalente a 9% do PIB mundial.

 

A redução da jornada de trabalho está na pauta dos bancários na campanha salarial 2026. A discussão aberta na mesa de negociação, portanto, é positiva. Mas, o movimento sindical precisa participar de todo o processo para que os bancos não usem a mudança para reduzir o quadro de pessoal e aumentar a pressão sobre quem permanece.