Empregados da Caixa avaliam proposta após maratona de negociações

Os empregados da Caixa têm uma importante decisão pela frente nas assembleias que vão avaliar a proposta apresentada pelo banco na última rodada de negociação com a CEE (Comissão Executiva dos Empregados). O encontro, realizado em São Paulo, começou apenas às 8h deste sábado (29/08), embora estivesse previsto para a sexta-feira (28/08), e encerrou uma maratona de negociações marcada por desgaste, impasses e demora na apresentação de uma proposta.

Por Rose Lima

Os empregados da Caixa têm uma importante decisão pela frente nas assembleias que vão avaliar a proposta apresentada pelo banco na última rodada de negociação com a CEE (Comissão Executiva dos Empregados). O encontro, realizado em São Paulo, começou apenas às 8h deste sábado (29/08), embora estivesse previsto para a sexta-feira (28/08), e encerrou uma maratona de negociações marcada por desgaste, impasses e demora na apresentação de uma proposta.

As proposições serão levadas ao Comando Nacional dos Bancários e, posteriormente, submetidas à avaliação dos empregados nas assembleias que serão realizadas em todo o país entre quinta (03/09) e sexta-feira (04/09). A apresentação pela Caixa não representa aprovação do acordo. A decisão caberá aos trabalhadores.

Saúde Caixa concentra os principais pontos

O Saúde Caixa foi o principal tema da última rodada. A proposta apresentada pelo banco altera as regras atuais de contribuição e estabelece uma cobrança que varia de acordo com a idade do titular e de cada dependente.

Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração-base. A mensalidade por dependente subiria de R$ 480,00 para R$ 660,00. Também seria elevado de 7% para 9% o teto de comprometimento da renda do grupo familiar. Seriam mantidas as 13 mensalidades anuais.

Os dependentes indiretos, incluindo filhos entre 21 e 27 anos, ficariam fora do teto familiar. A diferenciação atualmente existente entre as faixas de 21 a 24 e de 24 a 27 anos seria eliminada. Todos os usuários teriam uma cobrança mínima de R$ 50,00.

A proposta também prevê mudanças na coparticipação. Consultas por telemedicina passariam a ser isentas, assim como internações e tratamentos oncológicos. Já a consulta em pronto-socorro teria o valor elevado de R$ 75,00 para R$ 150,00. O limite anual de coparticipação por grupo familiar passaria de R$ 3.600,00 para R$ 4.800,00.

Outra alteração seria a realização de recadastramento anual dos titulares e grupos familiares. A Caixa também abriria prazo de 90 dias para adesão de empregados que atualmente estejam fora do plano. Depois desse período, quem cancelar a adesão não poderia retornar ao Saúde Caixa. A regra atual permite uma nova inscrição após dois anos de ausência, desde que cumpridas as condições previstas no ACT (Acordo Coletivo de Trabalho).

Caixa prevê aporte e fala em ampliar participação

Segundo a Caixa, as medidas propostas aos usuários representariam aproximadamente R$ 190 milhões adicionais em 2026. O banco também informou que pretende colocar cerca de R$ 543 milhões para contribuir com o equacionamento do resultado do plano neste ano, inclusive por meio de medidas extraordinárias.

Informou ainda que pretende iniciar, após o período de restrições eleitorais, os procedimentos necessários para discutir a ampliação, em 2027, do teto de 6,5% da folha de pagamento e dos proventos que atualmente limita a participação do banco no custeio do Saúde Caixa.

A proposta também prevê estudos sobre mudanças estruturais no plano, incluindo a possibilidade de constituição de CNPJ próprio e a busca por novas fontes de receita. A representação dos empregados defendeu que qualquer alteração estrutural seja previamente discutida na mesa de negociação, conforme previsto no acordo vigente.

GT para carreira e remuneração

Além do Saúde Caixa, a negociação avançou na criação de um grupo de trabalho para discutir quatro temas: PFG (Plano de Funções Gratificadas), PCS (Plano de Cargos e Salários), PSIs (Processos Seletivos Internos) e remuneração variável.

A expectativa da CEE é que o grupo comece a funcionar logo após o encerramento da campanha salarial, ainda em 2026, com um calendário intensificado de reuniões.

Na remuneração variável, entre os pontos reivindicados estão a revisão do Super Caixa, negociação prévia das regras, transparência dos critérios, adoção do princípio de que quem vende deve receber e tratamento isonômico entre empregados da rede, centralizadoras e matriz. Também está prevista a discussão sobre o Bônus Caixa e outros programas que tenham impacto na remuneração.

As agendas da mesa permanente de negociação também deverão ser ampliadas.

Figital e Genesys entram na pauta

A Caixa propôs ainda reuniões específicas para discutir os modelos Figital e Genesys, que preocupa os empregados pelos impactos na organização e nas condições de trabalho.

No Genesys, o banco se comprometeu a suspender até 31 de dezembro a penalização no Alcance.Caixa decorrente do transbordo do atendimento. O prazo antes do transbordo também será ampliado de cinco para dez minutos. Durante o período de suspensão, mesmo após os dez minutos, a unidade não será penalizada pelo indicador.

A CEE pretende utilizar a reunião específica para discutir não apenas os indicadores, mas o próprio modelo de organização do trabalho, incluindo a combinação entre atendimento presencial e digital e os efeitos da sobrecarga sobre os empregados.

Licenças de saúde e férias

Outro ponto discutido foi o adiantamento salarial durante afastamentos por licença de saúde.

A Caixa propôs que, quando o benefício for inicialmente indeferido pelo INSS, a cobrança para devolução do adiantamento não seja iniciada enquanto houver possibilidade de recurso. A devolução começaria somente após uma decisão definitiva.

O banco também propôs tornar facultativo o recebimento do adiantamento. A representação dos empregados defendeu a manutenção do pagamento automático, permitindo que o trabalhador opte por não receber, caso queira.

Na pauta de férias, a Caixa propôs a possibilidade de conversão de 10 dias em abono pecuniário, independentemente do período de descanso.

Também foi cobrado que a paralisação do dia 20, que será abonada, não provoque prejuízos em contagens funcionais relacionadas a substituições por prazo, exercício de funções e outros efeitos posteriores.

Outros avanços

Ao longo das rodadas, foram discutidos temas como Promoção por Mérito, pessoas com deficiência, monitoramento de metas, atendimento digital, carreira e condições de trabalho.

Entre os encaminhamentos apresentados durante o processo estão a retirada do Alcance.Caixa dos critérios da Promoção por Mérito, a previsão de pagamento dos deltas em janeiro e a suspensão do processo de migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação com a representação dos empregados.

Apesar dos pontos positivos, permanecem divergências relevantes, especialmente em relação ao Saúde Caixa e às mudanças no modelo de custeio.

Depois de uma negociação extensa, marcada por sucessivos impasses e pela demora na apresentação da proposta final, caberá agora aos empregados analisar o conjunto das medidas. A decisão nas assembleias deverá considerar não apenas o Saúde Caixa, mas todos os pontos negociados durante a campanha salarial.