Sindicato orienta rejeição na Caixa

Os empregados da Caixa avaliam em assembleia duas propostas: uma apresentada pela Fenaban e outra pelo banco na última rodada de negociação com a CEE (Comissão Executiva dos Empregados), realizada no sábado, em São Paulo. As proposições serão submetidas à avaliação entre 19h de quinta-feira e 19h de sexta-feira. É preciso atenção, pois são duas votações distintas.

 

Sobre a renovação do ACT (Acordo Coletivo de Trabalho), o Sindicato dos Bancários da Bahia orienta a rejeição da proposta. O principal motivo é o Saúde Caixa. A criação de uma tabela progressiva de contribuição por faixa etária quebra o pacto intergeracional que historicamente sustenta o plano, no qual trabalhadores mais jovens contribuem para o equilíbrio do convênio e para o atendimento daqueles que, com o passar dos anos, passam a utilizar mais os serviços de saúde.

 

A proposta altera de forma significativa as regras atuais de contribuição. Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular passaria de 3,5% para 4,5% da remuneração-base. A mensalidade por dependente subiria de R$ 480,00 para R$ 660,00. Também seria elevado de 7% para 9% o teto de comprometimento da renda do grupo familiar. Seriam mantidas as 13 mensalidades anuais.

 

Na avaliação do Sindicato, as mudanças representam um retrocesso importante no modelo de custeio do plano e atingem diretamente trabalhadores que dependem do Saúde Caixa para garantir assistência à saúde após anos de contribuição. Não para por aí. A proposta também exclui os dependentes indiretos, inclusive filhos entre 21 e 27 anos, do teto familiar. A diferenciação atualmente existente entre as faixas de 21 a 24 e de 24 a 27 anos seria eliminada. Todos os usuários teriam ainda uma cobrança mínima de R$ 50,00.

 

Outro ponto de impacto é a coparticipação. Consultas por telemedicina seriam isentas, assim como internações e tratamentos oncológicos. Por outro lado, a consulta em pronto-socorro teria o valor elevado de R$ 75,00 para R$ 150,00. O limite anual de coparticipação por grupo familiar passaria de R$ 3.600,00 para R$ 4.800,00.

 

A proposta prevê ainda o recadastramento anual dos titulares e grupos familiares. A Caixa abriria prazo de 90 dias para adesão de empregados que atualmente estejam fora do plano. Depois desse período, quem cancelar a adesão não poderia retornar ao Saúde Caixa. A regra atual permite nova inscrição após dois anos de ausência, desde que cumpridas as condições previstas no ACT.

 

A direção do banco informou ainda que pretende iniciar, após o período de restrições eleitorais, os procedimentos para discutir a ampliação, em 2027, do teto de 6,5% da folha de pagamento e dos proventos, que atualmente limita a participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa. No entanto, a possibilidade de discutir a ampliação do teto futuramente não elimina os problemas presentes na proposta. O Sindicato considera que as mudanças apresentadas agora alteram a estrutura do modelo de custeio e ameaçam o pacto intergeracional, princípio fundamental para a sustentabilidade e a solidariedade do plano entre trabalhadores da ativa, aposentados e dependentes.

 

Carreira e remuneração

Além do Saúde Caixa, a proposta prevê a criação de um grupo de trabalho para discutir quatro temas: PFG (Plano de Funções Gratificadas), PCS (Plano de Cargos e Salários), PSIs (Processos Seletivos Internos) e remuneração variável.

 

Na remuneração variável, entre os pontos reivindicados estão a revisão do Super Caixa, negociação prévia das regras, transparência dos critérios, adoção do princípio de que quem vende deve receber e tratamento isonômico entre empregados da rede, centralizadoras e matriz. Também está prevista a discussão sobre o Bônus Caixa e outros programas que tenham impacto na remuneração.

 

Outros pontos

A Caixa propôs ainda reuniões específicas para discutir os modelos Figital e Genesys, que preocupam os empregados pelos possíveis impactos na organização e nas condições de trabalho.

 

Entre outros encaminhamentos estão a retirada do Alcance.Caixa dos critérios da Promoção por Mérito, a previsão de pagamento dos deltas em janeiro e a suspensão do processo de migração das funções de caixas e tesoureiros para negociação com a representação dos empregados.

 

Embora existam avanços em alguns pontos, o Sindicato considera que eles não compensam os retrocessos previstos para o Saúde Caixa. A mudança no modelo de custeio, o aumento da contribuição de titulares e dependentes, a elevação da coparticipação e a quebra do pacto intergeracional são questões centrais.

 

Por isso, o Sindicato dos Bancários da Bahia orienta os empregados da Caixa a rejeitarem a proposta nas assembleias. A orientação considera que a defesa do plano de saúde e de um modelo de custeio solidário é fundamental para garantir o direito à saúde de empregados da ativa, aposentados, pensionistas e dependentes.