Mulheres seguem vítimas da violência
Outro dado alarmante é a reincidência das agressões. Entre os casos com informações disponíveis, 66,2% das mulheres atendidas já haviam sofrido violência anteriormente, revelando a dificuldade de interromper ciclos de abuso e violência doméstica.
Por Caio Ribeiro
Mesmo com a redução dos homicídios no país, a violência contra as mulheres segue como um dos principais desafios sociais. Dados do Atlas da Violência 2026 mostram que, enquanto os assassinatos femininos ocorridos fora das residências diminuíram na última década, as mortes dentro de casa permaneceram praticamente estáveis, evidenciando a persistência da violência de gênero.
Em 2024, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil. Mais de um terço dessas mortes ocorreu dentro da própria residência, cenário que continua sendo o principal espaço de risco para as vítimas de violência. O levantamento também aponta que quase 80% das notificações de violência doméstica registradas pelos serviços de saúde aconteceram dentro de casa.
Outro dado alarmante é a reincidência das agressões. Entre os casos com informações disponíveis, 66,2% das mulheres atendidas já haviam sofrido violência anteriormente, revelando a dificuldade de interromper ciclos de abuso e violência doméstica. Para os pesquisadores, o problema está ligado não apenas à segurança pública, mas também a fatores estruturais, como machismo, misoginia e desigualdades sociais.
As mulheres negras seguem sendo as principais vítimas. Elas representam 67,5% dos assassinatos e 58,6% dos registros de violência doméstica e intrafamiliar. Os números reforçam que o enfrentamento à violência contra as mulheres exige políticas públicas permanentes, ampliação da rede de proteção e combate às desigualdades de gênero e raça.


