Fenaban: só promessa, sem proposta

A postura causa indignação. Entre as sinalizações mais preocupantes está a possibilidade de manter a Participação nos Lucros e Resultados sem reajuste.

Por Rose Lima

Depois de classificar a pauta de reivindicações dos bancários como "cara demais", a Fenaban, representante do setor mais lucrativo da economia, que lucrou R$ 124 bilhões ano passado, adiou novamente as respostas e prometeu apresentar uma proposta global somente na próxima negociação, dia 13 de agosto.

 

A postura causa indignação. Entre as sinalizações mais preocupantes está a possibilidade de manter a Participação nos Lucros e Resultados sem reajuste. O Comando Nacional dos Bancários lembrou que apenas as receitas com tarifas dos cinco maiores bancos cobriram 123% de todas as despesas com pessoal, inclusive a própria PLR.

 

Os números desmontam o discurso. O patrimônio líquido das principais organizações financeiras alcançou R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes superior ao patrimônio somado dos dois setores mais rentáveis da indústria brasileira, eletroeletrônico e mecânico, que juntos totalizam R$ 48 bilhões.

 

Apesar da rentabilidade histórica, a Fenaban segue sem apresentar qualquer proposta concreta. Após seis rodadas de negociação, a última foi ontem, enrolação e a negativa dos bancos.

 

Nos bancos públicos, o cenário não é diferente. Na Caixa, as negociações avançam lentamente. Já no BB, embora as conversas continuem, ainda não houve respostas efetivas às principais reivindicações. No BNB, o impasse é ainda mais grave: a direção ameaça alterar o modelo de pagamento da PLR, rompendo o padrão adotado nos últimos dois anos.