Insensível até com a saúde
A situação dos aposentados do Itaú é estarrecedora. Com reajustes abusivos nos planos de saúde, muitos passaram a comprometer grande parte da renda para manter a assistência médica. Há casos em que o convênio consome mais de 70% do orçamento mensal e situações em que chegou a atingir quase toda a renda do aposentado.
Por Itana Oliveira
A situação dos aposentados do Itaú é estarrecedora. Com reajustes abusivos nos planos de saúde, muitos passaram a comprometer grande parte da renda para manter a assistência médica. Há casos em que o convênio consome mais de 70% do orçamento mensal e situações em que chegou a atingir quase toda a renda do aposentado.
O cenário motivou mobilizações de aposentados em diversas regiões do país, nesta quinta-feira (12/03). O objetivo é pressionar o banco e a Fundação Saúde Itaú, responsável pela gestão dos planos, a abrir negociação para enfrentar o problema.
Os aumentos sucessivos têm levado ex-funcionários a abandonar o plano por impossibilidade financeira. O problema é ainda mais grave porque grande parte são idosos com doenças crônicas, o que praticamente impede a contratação de outro convênio no mercado.
Em um dos casos relatados, um aposentado que trabalhou por 36 anos no banco e ficou tetraplégico após um acidente, viu o valor saltar de pouco mais de R$ 300,00 mensais para cerca de R$ 3 mil após a aposentadoria, aumento superior a 700%. Com os reajustes seguintes, a despesa chegou a representar até 98% da renda proveniente da aposentadoria e da previdência privada. Entre 2018 e 2024, ele afirma ter desembolsado cerca de R$ 395 mil para manter o convênio.
Os aposentados cobram congelamento imediato das mensalidades, critérios de reajuste vinculados à inflação, transparência sobre os custos dos planos, reingresso de quem foi obrigado a sair por falta de condições financeiras e participação de representantes dos aposentados na gestão da fundação.
A pressão ocorre em um contexto em que o Itaú registrou lucro líquido de R$ 135 bilhões nos últimos quatro anos. Mesmo assim, o banco informou reajustes de 9,8% nos planos administrados pela Fundação Itaú e de 10,37% nos vinculados à Unimed, justificando os aumentos pela sinistralidade. Sindicatos de todo o país, inclusive dos Bancários da Bahia, contestam os percentuais e cobram a apresentação detalhada dos custos que embasam os reajustes, além da empatia do banco pelas pessoas diretamente responsáveis pelos lucros obtidos por décadas.
