Governo se prepara para enfrentar El Niño intenso
Ministro João Paulo Capobianco, revelou projeção de 80% de probabilidade de um El Niño muito intenso atingir o Brasil. A fim de conter os danos, foi criada uma sala permanente, coordenada pela Casa Civil, a fim de planejar recursos extraordinários, conceder reforços à órgãos federais e coordenar ações com estados e municípios.
Por Juliana Ambrozi
O governo federal começa a colocar em prática uma série de medidas para enfrentar os impactos do El Niño no Brasil. Entre as ações previstas estão o monitoramento contínuo das condições climáticas e a atuação conjunta com especialistas para antecipar riscos e reduzir danos à população.
Embora seja um fenômeno natural provocado pelo superaquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o El Niño ocorre em um contexto marcado pelo agravamento da crise climática global. O aumento da temperatura do planeta, resultado de décadas de emissão de gases de efeito estufa, potencializa os efeitos e amplia os prejuízos sociais, econômicos e ambientais.
Segundo estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), eventos recentes relacionados ao fenômeno atingiram cerca de 60 milhões de pessoas em mais de 20 países. Nos casos mais severos, os impactos incluem aumento da insegurança alimentar e emergências de saúde pública.
Vale destacar que a intensificação dos eventos extremos não pode ser analisada isoladamente. Na prática, está diretamente relacionada a um modelo de desenvolvimento que, nas últimas décadas, aprofundou a exploração em nome da maximização dos lucros. Em diferentes partes do mundo, grandes empresas pressionam ecossistemas, ampliam emissões de carbono e aceleram a degradação ambiental.
No Brasil, o debate passa necessariamente pela expansão descontrolada do agronegócio. O avanço do desmatamento para abertura de áreas destinadas à criação de gado e à produção de commodities reduz a capacidade das florestas de regular o clima, compromete os ciclos das chuvas e contribui para o aumento das emissões de gases responsáveis pelo aquecimento global.
As consequências já são sentidas em todas as regiões do país. Durante os períodos de El Niño, o Sul e parte do Sudeste enfrentam chuvas intensas, enchentes e deslizamentos de terra. Ao mesmo tempo, Norte, Nordeste e Centro-Oeste convivem com secas prolongadas, escassez hídrica e maior risco de incêndios florestais.


