Governo se prepara para enfrentar El Niño intenso
Ministro João Paulo Capobianco, revelou projeção de 80% de probabilidade de um El Niño muito intenso atingir o Brasil. A fim de conter os danos, foi criada uma sala permanente, coordenada pela Casa Civil, a fim de planejar recursos extraordinários, conceder reforços à órgãos federais e coordenar ações com estados e municípios.
Por Juliana Ambrozi
O governo federal desenvolve estratégia para combater efeitos do El Niño no Brasil. João Paulo Capobianco, ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, informou que uma das ações consiste em garantir monitoramento contínuo e consultoria com especialistas climáticos.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo superaquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que ocorre anualmente e afeta dezenas de milhões de pessoas ao redor do mundo.
O avanço desenfreado do aquecimento global tem potencializado significativamente os efeitos do El Niño. Em eventos recentes, os impactos foram sentidos por cerca de 60 milhões de indivíduos em mais de 20 países, simultaneamente, segundo pesquisa realizada pela FAO (Organização das Nações Unidos para Alimentação e Agricultura).
O estudo aponta que, nas ocorrências mais graves, o fenômeno pode causar o surgimento de crises de insegurança alimentar, desnutrição e emergências de saúde pública. No Brasil, o El Niño provoca efeitos extremos, como fortes chuvas que elevam riscos de enchentes e deslizamentos nas regiões Sul e Sudeste, e secas severas, com suscetibilidade a incêndios florestais, nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Em entrevista concedida nesta quinta-feira (11/06), João Paulo Capobianco, revelou projeção de 80% de probabilidade de um El Niño muito intenso atingir o Brasil. A fim de conter os danos, foi criada uma sala permanente, coordenada pela Casa Civil e composta por 13 ministérios e órgãos públicos, a fim de planejar recursos extraordinários, conceder reforços à órgãos federais e coordenar ações com estados e municípios.
O ministro também mencionou avanços de ações preventivas e combativas aos incêndios na Amazônia, Cerrado e Pantanal, com base na nova Lei do Manejo Integrado do Fogo, que estabelece corresponsabilidade entre União, estados, municípios e proprietários rurais na elaboração de planos de prevenção. Além disso, houve reforço no monitoramento, ampliação do número de aeronaves e equipamentos de combate ao fogo.


