Não é silêncio, é cumplicidade
O Anuário 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024. Outras 3.870 sofreram tentativas morte.
Por Caio Ribeiro
A cada dia o Brasil convive com números alarmantes de violência de gênero. Feminicídios, estupros e agressões continuam a crescer e a devastar vidas, sobretudo mulheres e meninas. Estatísticas recentes mostram que parte dos crimes têm como autores parceiros ou conhecidos.
O Anuário 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 1.492 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2024. Outras 3.870 sofreram tentativas morte. Nos casos consumados, 97% eram homens e oito em cada 10 eram companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Em muitos casos, a insegurança começa dentro de casa, com violências que se perpetuam e chocam pela brutalidade, inclusive contra crianças e adolescentes, que não encontram proteção adequada no próprio lar. Além disso, decisões judiciais controversas tendem a subestimar a gravidade dos atos e minar a confiança das vítimas nos mecanismos legais de proteção.
A luta por direitos e a denúncia dos abusos enfrentam ainda a cultura enraizada do machismo e da desvalorização feminina, que normaliza comportamentos violentos e responsabiliza as vítimas em vez de responsabilizar os agressores.
