Machosfera: misoginia que vira lucro nas redes sociais

Neste cenário, a chamada “machosfera”, rede de influenciadores e canais que difundem ideias antifeministas, se consolida como indústria digital. Pesquisa identificou mais de 76 mil vídeos com este tipo de conteúdo, somando bilhões de visualizações e milhões de inscritos.

Por Caio Ribeiro

Big techs e influenciadores digitais têm transformado o discurso de ódio contra mulheres em um negócio altamente lucrativo. De acordo com levantamento, conteúdos misóginos circulam amplamente nas redes sociais e geram engajamento elevado, o que se converte em receita publicitária para as plataformas. A lógica é simples: quanto mais polêmico e agressivo o conteúdo, maior o alcance e, consequentemente, maior o lucro.

 

Neste cenário, a chamada “machosfera”, rede de influenciadores e canais que difundem ideias antifeministas, se consolida como indústria digital. Pesquisa identificou mais de 76 mil vídeos com este tipo de conteúdo, somando bilhões de visualizações e milhões de inscritos. A maioria dos canais utiliza mecanismos de monetização, como anúncios, doações e venda de cursos, evidenciando que a misoginia deixou de ser apenas discurso e passou a integrar um modelo de negócios estruturado.

 

Os algoritmos das plataformas desempenham papel central no processo, ao priorizarem publicações que geram curtidas, comentários e compartilhamentos. Com isto, conteúdos que estimulam indignação, conflito e polarização acabam sendo impulsionados, criando um ciclo em que discursos cada vez mais extremos têm maior chance de viralização. Mesmo diante de regras contra discurso de ódio, grande parte dos perfis segue ativa e lucrando.

 

O resultado é a consolidação de um ambiente digital que incentiva a disseminação de violência simbólica e desinformação, com impactos que ultrapassam as redes sociais. Especialistas alertam que a engrenagem contribui para a normalização do ódio e pode estar relacionada ao aumento de casos de violência contra a mulher, reforçando a necessidade de regulação das plataformas e responsabilização das empresas envolvidas.